quarta-feira, 16 de maio de 2012

O mico de circo e a borboleta intrépida II

Capitulo DOIS - Jardim de jasmins


Leia o capítulo Anterior de "O mico de circo e a borboleta intrépida"

A multidão voltava as suas terras depressa, enquanto o circo preparava-se para ir, mas homens fortes seguraram as rodas e cordas que prendiam o carroção enquanto o resto do povo circulava o mesmo gritando
-Queremos nosso dinheiro de volta! Ladrões miseráveis! – Acertavam paus e pedras dentro do carroção, e tentavam invadi-lo
-Eles vão nos matar! Oh céus! Bárbaro! Diga aos meus pais que eu os amei – Dizia Esmeralda histérica
-Pare com seus faniquitos Esmeralda! Nós não vamos morrer! – Ele agarrou a grande mulher pelo colarinho de seu vestido, mas parecia tão assustado quanto Esmeralda
-Pare de falar homem! – O palhaço mais franzino se pronunciou – Você é o maior e o mais forte daqui Bárbaro, vá lá e os acalme!
-Mas logo eu? Acabei de fazer as unhas e estou com o cabelo lavado... Eu não...
-Seja homem rapaz! – O palhaço gordo chutou-o para fora do carroção que o povo balançava, Bárbaro encolheu-se e gemeu em meio à multidão enfurecida, mas estufou o peito e tomou uma pose corajosa
-Afastem-se! – Todos obedeceram e tomaram certa distância do carroção e puseram-se a ouvi-lo – Tudo ficará bem! E todos estarão felizes, não se preocupem...
-Então acabem com isso logo e nos devolvam nosso dinheiro! – Uma mulher rechonchuda triste por ter perdido suas jóias retrucou
-Mas isso será impossível minha senhora, vocês não assistiram as apresentações? Pois o dinheiro então já foi investido!
-Mas essa droga de apresentação foi interrompida logo no começo! – Um dos homens disse
-Além de que contrataram um macaco larápio para nos roubar! Merecemos nosso dinheiro de volta pela perda de nossos objetos... – Um outro acrescentou
-Mas em momento algum dissemos que estaríamos responsáveis por jóias e dinheiro e que caso acontecesse algo com os tais objetos algum de vocês seriam ressarcidos
-Mas o macaco ladrão era contratado seu!
-Não era não, ele apenas estava se aproveitando de nossa ingenuidade - O homem forjou uma cara triste - E mas, mas, mas... Chega de “mas”! É isso e pronto; vocês são os errados! Nosso circo irá embora como assim está
-Ora! Isso certamente foi uma conclusão injusta – Um velho de cara fechada, barba branca e longuíssima, de poucos cabelos, magricela, baixinho e encurvado apoiando-se num cajado saiu do meio da multidão, que como se o velho fosse uma figura respeitada foram se afastando e curvando a cabeça em direção ao homem – Acho necessário que outra solução seja encontrada... Vamos... vocês devem ter muitas noites de apresentações, o dinheiro não lhes faltará... É apenas uma troca... Vocês nos devolvem o dinheiro e... Eu dou a vocês meus serviços... – O velho aproximou-se de Bárbaro sussurrando enquanto o resto da trupe tentava ouvir a proposta do velho
-E de que forma acha que seus trabalhos serão de alguma importância para nós? – O mestre de cerimônias disse desgostoso pela proposta
-Acredito eu – O velho sorriu e ergueu uma de suas sobrancelhas – Que esta noite será um belo prejuízo para os meus senhores, estou certo?
-Obviamente – A domadora de feras tomou a palavra – Essa é a cidade mais rica que visitamos, perderíamos muita coisa...
-Inclusive o que o Dado havia arrecadado... – O Bárbaro soltou
-Então quer dizer que o tal macaco realmente fazia o roubo a mando de vocês?
-Não... Não é bem o que eu quis dizer! – Ele tentou concertar, mas o velho sorridente continuou
-Espertos... Mas acredito que agora esse macaco esteja valendo muito dinheiro para vocês...
-Infelizmente...
-Então, uma pequena vingança seria boa?
-Talvez...
-Eu prometo dar meus trabalhos para buscar esse macaco e vingar vocês e pegar tudo que ele os deve...
-Mas ele é só um maltrapilho e de qualquer forma como um velho nos ajudaria?
-Ingênuos... – Ele riu e abrindo suas mãos fez surgir uma espécie de bola de cristal – Sou o mago Hanmeldinsk... E posso garantir que o macaco terá como pagar e ainda terá mais para que o roubem... – Os olhos da trupe brilharam, viram um futuro próximo do macaco em meio a um grande tesouro, até mesmo os palhaços, amigos do macaco interessaram-se pelo dinheiro e sorriram todos de uma só vez – Agora só paguem a multidão, para que possamos ir...

...

       O céu estava tão bonito que diversos pássaros pousaram em galhos e contemplaram a beleza das lonas celestes, o sol estava suave e o azul banhado por poucas nuvens, mas havia ali uma nuvem em especial, milhares de borboletas de todas as cores, tamanhos e formas voavam migrando para o sul, pois o inverno chegaria, Dado atravessava com calma um grande tronco que ligava uma ponta do abismo a outra, o tronco estava tomado pelo musgo o que deixava a passagem ainda mais perigosa, mas o macaco habilidoso estava acostumado com essas situações logo chegou a outra ponta e nisso notou que a borboleta em seu ombro observava com atenção as borboletas migrando...
-Pode ir... - Ele sorriu colocando a borboleta em suas mãos
-Não posso... Te fiz uma promessa...
-Eu posso me virar sozinho... Sua jornada é mais curta pequenina amiga, aproveite...
-Posso? - Ela sorriu, e o macaco assentiu com a cabeça sem nada dizer e ergueu as mãos deixando a borboleta voar em direção a outra, assim o macaco, apenas esperou que a amiga se juntasse as outras borboletas e virou o rosto em direção ao bosque e seguiu com seu andar desengonçado, mas ainda cansado por ter sido subitamente acordado pela pequena borboleta cochilou novamente debaixo de um árvore

"-Na corda Bamba!
-Limpe isso! Imprestável
-Você é um inútil!
    Dado estava encolhido num picadeiro, com diversos rostos ao seu redor, xingando, cobrando, mandando, cuspindo no pobre macaco
-Anda, vista isso! - Foi obrigado a vestir-se de palhaço aos chutes, apareceu sozinho frente a uma multidão, luzes cegantes, e todos num silêncio terrível, tossindo, pigarreando, esperando por alguma ação
-Faça alguma coisa! - Um dos expectadores jogou uma fruta no macaco que protegeu-se com os braços, nisso todos começaram a fazer o mesmo, e riram enfim, mas da desgraça e dor do pobre macaco
-Inútil! destruiu o espetáculo! Imprestável! Você sempre erra! Sempre estraga tudo! - Dezenas de cabeças flutuantes voltaram a aparecer e girar ao seu redor, colegas de escola, donos, parentes... E Dado permanecia quieto, gemendo, encolhido no centro do palco, sob os holofotes, sob os risos..."


-AHHHHHHHH - O macaco acordou assustado e ofegante com a pequena borboleta em seu focinho
-Achei que estava morrendo, estava gemendo e chorando...
-Foi apenas um pesadelo... - Ele disse virando, fugindo dos olhares da pequena borboleta - Espere... Você não se foi?
-Eu... Não quis te abandonar... Sabe, acho que você precisa de mim, você não tem muita força de vontade e é um fracote - O macaco riu com as palavras da pequena amiga - Mas me diga - ela apoiou-se sobre os braços - Percebeu que nunca dissemos nos apresentamos de verdade?
-Tem razão... Me chamo Dado, filho de Lucinda, das florestas densas das araucárias...
-Bem... Eu sou daqui mesmo... Filha de... Bem, não sei... E...
-E seu nome?
-Bem... Não tenho um... - Ela disse cabisbaixa
-Poderíamos encontrar um nome para você...
-Jura? - O semblante da pequena borboleta mudou foi tomada novamente por um sorriso
-Hmmm... Talvez... Jennette McCurdy
-Que específico... Mas não, quero um nome que tenha algum sentido para mim...
-Talvez sorte... Por que você apareceu para mim num momento que eu precisava...
-Bonitinho... Mas não...
-Como você é exigente... Veja, não consigo pensar em nada... Só sei que quando olho para suas asas, amarelas e brancas, eu me lembro do jardim de jasmins da minha mãe, para mim você parece uma Jasmim voadora...
-É isso! Que lindo! Amei! - Ela voou animada - Me chamo Jasmim - A borboleta apertou um dos dedos do macaco com sua pequena patinha - Prazer em conhecê-lo
-Olá Jasmim - Eles riram - Bem... Acho que podemos continuar nossa peregrinação... - Ele concluiu e ambos seguiram em frente adentrando o bosque fechado
-A propósito, para onde estamos indo mesmo?
-Para qualquer lugar Jamim... Para qualquer lugar... Estamos sem rumo...

...

O sol estava se pondo, os sons do bosque tornaram-se terríveis, e logo tudo entrou em silêncio ao ouvir os galopes dos cavalos sendo chicoteados
-Eya! - o carroção parou repentinamente próximo ao abismo, estava tudo completamente escuro e toda a trupe saiu encolhidos e agarrados, com medo, seguindo o mago esquisito iluminados apenas pela esfera luminosa do velho
-Ele esteve aqui... E não faz muito tempo...


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